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Salário do brasileiro tem maior perda real em um ano no mês de julho, diz Fipe

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 Com a inflação se sustentando em patamares elevados  e  o crescimento econômico em compasso de espera , as negociações salariais estão muito difíceis para o trabalhador brasileiro e o último mês de julho foi o pior neste quesito nos últimos 12 meses. 

É o que mostra o Boletim Salariômetro, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) sob coordenação do economista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Hélio Zylberstajn.

O levantamento mostra que, em julho, o reajuste mediano ficou 1,6 ponto percentual abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e apenas 27,5% das negociações resultaram em ganhos reais.

Isso porque a correção mediana no último mês ficou em 7,6%, enquanto a inflação acumulada chegou a 9,2%, o quer dizer, na prática, que houve perda real de 1,6% nos salários durante o último mês.

Ademais, com custos como  energia ,  combustível  e  alimentação , que têm forte representatividade no INPC, subindo cada vez mais, a tendência, explicitada no relatório é que este quadro não apresente mudanças no curto prazo.

Projeções do Itaú e do Santander presentes no relatório mostram que o índice deve chegar a 9,9% em agosto e romper a barreira dos 10% em setembro, se mantendo em pelo menos 7% até março do ano que vem no caso do Itaú e maio no caso do Santander.

Em termos setoriais, apenas o segmento de comércio atacadista e varejista conseguiu reajuste com ganho real (9,5%), enquanto bancos e serviços financeiros (9,2%) empataram com a inflação.

Analisando por estado, trabalhadores do Rio Grande do Sul (9,5%) e de Santa Catarina (9,4%) conseguiram ter ganho real, enquanto os do Paraná (9,2%) zeraram as perdas. São Paulo vem a seguir, com 8%.

Política de reajuste

Apesar de não reconhecer que mudou a política do salário mínimo, vem reajustado o piso apenas com a variação da inflação mesmo antes da pandemia, com o argumento de que precisa preservar o ajuste fiscal. Para 2022, a previsão é de que o valor chegue a R$ 1.147 ante os atuais R$ 1.100.

Tradicionalmente, os reajustes do mínimo são calculados a partir do aumento do INPC somado da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Criada pelo governo Lula, essa regra virou lei em 2012, durante o governo Dilma, mas expirou em 2019.

Durante esse período, o salário mínimo não teve aumento acima da inflação em 2017 e 2018, já que o cálculo considerou os anos de 2015 e 2016, respectivamente, quando o país estava em recessão.

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